OS PAPÉIS DO PANAMÁ

Os tão falados Panama Papers são um conjunto de informações roubadas de uma empresa especialista em criação de contas e empresas no Panamá, país da América Central. Para esconder tanto dinheiro é necessário recorrer a países que cobram baixos impostos e não permitem o acesso a informações bancárias: a isto chamamos de “paraísos fiscais” e às empresas damos o nome de offshores. As pessoas muito ricas criam, então, empresas e contas bancárias nesses locais, para transferirem quantias grandes de dinheiro, sem pagar tantos impostos como nos países de origem ou ainda para esconder os lucros de atividades criminosas como a corrupção ou o tráfico de armas.

 

OFFSHORE

A empresa de onde foram roubados os mais de 11 milhões de documentos, chama-se Mossack Fonseca. É um escritório de advogados, no Panamá, especializada em operações offshore. Estes serviços já foram contratados por centenas de milhares de pessoas. O problema aqui, além da ilegal “fuga ao fisco” (esconder dinheiro e outros bens materiais para evitar pagar impostos no seu país), é que há dezenas de políticos (governantes e ex-governantes) com os seus nomes ligados a este recente escândalo mundial. Muitos defendem que as “operações offshore” não são ilegais, mas qual é a moral de um político que “obriga” os seus concidadãos (pessoas do mesmo país) a pagar impostos e depois organiza esquemas complicados para fugir a essas mesmas obrigações?

 

QUEM ESTÁ NA LISTA?

Até ao momento, são mencionados os nomes de cinco chefes de estado no ativo, incluindo a Argentina, a Islândia, a Arábia Saudita, a Ucrânia e os Emirados Árabes Unidos. Para além disto, estão “em cima da mesa” os nomes de outros responsáveis governativos, familiares e colaboradores. Brasil, China, Coreia do Norte, França ou Reino Unido são alguns dos 40 países envolvidos no escândalo. Muitas figuras públicas constam também na lista, como é o caso do jogador Lionel Messi, Michel Platini (ex-jogador e presidente da UEFA) e Jackie Chan, ator chinês, entre muitos outros… Os documentos saídos da Mossack Fonseca abrangem o período desde 1970 até aos dias de hoje e tem informações de operações de mais de 200 mil empresas e de cerca de 30 multimilionários dos 500 mais ricos do mundo. Se uma só pessoa tentasse ler os documentos todos ia precisar de mais de 25 anos, por isso a informação está a ser tratada por 400 jornalistas, de 107 órgãos de comunicação, oriundos de mais de 80 países.

 

O QUE VAI ACONTECER? JUSTIÇA? 

Estes Panama Papers foram enviados para o jornal alemão Süddeutsche Zeitung, de forma anónima, em 2015. Mais tarde, foram encaminhados para o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação onde cerca de 400 jornalistas, em mais de 80 países, analisaram estes documentos. As primeiras notícias sobre o caso foram publicadas a 3 de abril. Como é que esta exposição de contas de chefes de Estado, empresas, celebridades e organizações terá consequências na confiança que os cidadãos têm nas suas figuras públicas? Será que as empresas offshore vão desaparecer?

 

por Luís Grilo & Manuel Santos

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