MAIS DE METADE DOS INGLESES QUEREM SAIR DA UNIÃO EUROPEIA

Na última quinta-feira, 23 de junho, o Reino Unido votou em referendo a permanência ou a saída da União Europeia, tendo o “brexit” (“Britain” + “exit”) ganho com 52% do total de votos, num universo de cerca de 30 milhões de eleitores.

Apesar da recusa do Reino Unido em adotar o Euro como moeda, não fazendo parte da Zona Euro (países europeus com a moeda única, o Euro), a juntar ao facto de não ter subscrito o Acordo de Schengen (que é um acordo entre 30 países para a livre circulação de bens e pessoas, sem necessidade especial de controlo de fronteiras, em condições normais), o país da Rainha Isabel II faz parte da União Europeia desde 1973 e participava numa união política e económica, com 28 estados-membros. As principais instituições da União Europeia são a Comissão Europeia, o Conselho Europeu, o Banco Central Europeu e o Parlamento Europeu.

 

O que aconteceu?

A vitória do “brexit” está intimamente ligada à problemática das fronteiras e da migração, tendo este tema sido muito explorado pelos políticos que pretendem abandonar a cooperação europeia. A direita conservadora (que atualmente governa Inglaterra) e a extrema-direita (violenta e racista) apelaram ao controlo total das fronteiras, à expulsão dos migrantes que querem viver no Reino Unido e à necessidade de mais poder de decisão política, apesar de o primeiro-ministro David Cameron ser a favor da permanência do Reino Unido na União. Uma vez ouvida a vontade da população do Reino, Londres pode agora ativar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que prevê o abandono de um estado-membro. No entanto, este processo não será fácil, podendo durar 2 anos até à sua conclusão. Por outro lado, os territórios que pertencem ao Reino Unido, como a Irlanda do Norte e a Escócia, não pretendem abandonar a oportunidade de cooperação europeia e, neste momento, é mais provável os dois países saírem do Reino Unido, do que seguirem as ambições inglesas de sair da União dos 28.

 

Partido Trabalhista queria o sim…
O Partido Trabalhista é a maior força política da esquerda inglesa e defende a permanência do Reino na União (“bremain” – “Britain” + “remain”), tendo saído derrotado do referendo. O líder trabalhista é Jeremy Corbyn e agora é acusado de ter conduzido uma fraca campanha, o que resultou na saída de 10 dirigentes Trabalhistas. O objetivo de Corbyn e do Partido Trabalhista de ser eleito governo nas próximas eleições inglesas pode ter ficado “ferido de morte”, com a vitória do “brexit”. Mais de 3 milhões de ingleses assinaram também uma petição que pede um novo referendo sobre o mesmo tema. Mas, desta vez, pretende-se que haja mais de 75% de participação eleitoral e o “brexit” deve ser apoiado por, pelo menos, 65% dos eleitores. Para ser discutido no Parlamento inglês, bastava reunir 100 mil assinaturas, tendo esse número já sido largamente ultrapassado.
por Luís Grilo

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