EXPLORAÇÃO INFANTIL: AS CRIANÇAS FORÇADAS A TRABALHAR

O programa de investigação “Panorama” da televisão inglesa BBC denunciou um caso chocante de trabalho infantil, no início desta semana, a acontecer na Turquia. Munidos de câmeras ocultas (para poderem filmar discretamente), os jornalistas visitaram fábricas de roupa turcas, cujos trabalhadores eram migrantes sírios, entre os quais várias crianças e adolescentes com menos de 16 anos.
A reportagem da BBC é clara quando se refere ao trabalho ilegal: os “trabalhadores” foram contratados através de um intermediário, que lhes paga o salário na rua; o salário que recebem não chega a 1€ por hora, sendo abaixo do salário mínimo definido pela lei turca; os horários de trabalho ultrapassam as 12 horas diárias; nenhum dos “trabalhadores” tem garantias, o que significa se algo de grave lhes acontecer, o dono da fábrica despede-os.
As marcas de roupa visadas alegam que fazem inspeções às suas fábricas e que nunca encontraram nada ilegal. Um argumento que já foi usado anteriormente em casos parecidos.

A Convenção dos Direitos das Crianças, assinada por quase todos os países do mundo, aborda o tema do trabalho infantil no Artigo 32. Este Artigo defende que as crianças devem ser protegidas de qualquer tipo de trabalho, para que a sua saúde física e mental não seja posta em perigo.
Em situações normais, os países devem criar leis e castigos para quem dê emprego a crianças ou para quem as obrigue a trabalhar. Mas, só a existência das leis não garantem o seu cumprimento, há sempre a necessidade que as autoridades responsáveis possam fazer o seu trabalho para que estas desagradáveis situações não tenham espaço nas sociedades de todo o mundo.  

 

PRODUÇÃO DE MODA RÁPIDA VAI CONTINUAR A AUMENTAR

A consultora norte-americana McKinsey & Co analisou os consumos de roupa e os impactos que daí resultam para o ambiente. No relatório deste estudo destaca-se o aumento da produção de roupa rápida. Entre o ano 2000 até 2014 a produção de roupa duplicou, os preços baixaram e as vendas subiram 60%.
No relatório lê-se também que “os consumidores fecham os olhos aos custos ambientais e sociais da moda rápida”. Fazer roupa requer muita água e químicos perigosos que aumentam o efeito estufa no planeta. Outro facto abordado é o trabalho mal pago e os trabalhadores, muitas vezes adolescentes, serem sujeitos a condições de trabalho perigosas.
O relatório prevê que a produção continue a aumentar, uma vez que a classe média gasta muito do seu dinheiro em roupa. Os impactos ambientais também tendem a piorar, caso as grandes marcas não mudem as suas práticas industriais.

por Luís Grilo

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