ENTREVISTA FRANCESCO TONUCCI

Queremos dar voz às crianças e não íamos perder a fabulosa oportunidade de falar com Francesco Tonucci, professor, desenhador e psicólogo.

JORNALIX: Podes apresentar-te às crianças? FRANCESCO: Sou avô de dois netos. Tenho três filhos e estou casado há 50 anos. Dediquei a minha vida a tentar perceber as crianças. Estudei os seus pensamentos, os seus desejos e necessidades. Tentei, com as minhas pesquisas, ajudar os adultos a entender isso, tanto a escrever, como a desenhar.

Como nascem as tuas personagens? Nascem de uma pesquisa sobre violência infantil em psicologia infantil e da necessidade de criar um teste mental. Depois foram publicadas como tiras de banda desenhada.

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Defendes o espaço da rua como pertencendo a todos. Queria saber, quais eram as tuas brincadeiras na rua? O jogo é, e continua a ser, uma possibilidade incrível de criar em qualquer espaço, a qualquer momento do ano, utilizando materiais ou não utilizando materiais. Na rua, faziam-se alguns jogos em que era necessário o asfalto, como jogar aos berlindes, o jogo da macaca, etc.

Quais são as diferenças nas brincadeiras com as crianças de hoje? A diferença que vejo é que não vejo crianças na rua. Mas quando há crianças na rua, vejo-os a jogar como nós jogávamos. As crianças não mudaram. As condições é que mudaram.

O que podes dizer às crianças para não terem medo de sair de casa sozinhas? O que diria é que andarem na companhia dos seus amigos é útil para as suas experiências próprias, para o seu desenvolvimento e para a escola funcionar melhor. As pesquisas recentes demonstram que as crianças que se organizam e que vão a pé para a escola, têm maior capacidade de concentração. Isso é extremamente importante, quer dizer que fazem um esforço menor para seguir os professores e os ensinamentos. Os que vão para a escola de carro, mas que têm a possibilidade de ir a pé, acordam só na sala de aula! Quem vai a pé controla o seu tempo e isso tem um valor enorme a nível psicológico. Uma criança de 6, 7, 9 anos, que se preocupa com o tempo, sabe-o gerir. Significa que a criança se preocupa com ela própria. E os diretores das escolas dizem que as crianças que vão a pé são mais pontuais.

O que podes dizer às crianças para poder afirmar a sua opinião nas escolas? 
É muito simples, diria para verem o artigo número 12 da convenção da Constituição dos direitos das crianças.

“Os Estados Partes garantem à criança com capacidade de discernimento o direito de exprimir livremente a sua opinião sobre as questões que lhe respeitem, sendo devidamente tomadas em consideração as opiniões da criança, de acordo com a sua idade e maturidade.”

Portugal aderiu à convenção em 1990. Neste momento, tudo o que está escrito na convenção dos direitos das crianças é lei de estado. Deveriam ser os professores a dar a conhecer às crianças os seus direitos.

Mas isso não seria uma revolução muito grande nas escolas?

Claro, mas a escola está a precisar dessa revolução. Os bons professores sabem disso e querem-na. Por isso, é muito importante as crianças saberem os seus direitos.

 

Link para a convenção dos direitos da criança assinada pelo governo português:

www.gddc.pt/direitos-humanos/textos-internacionais-dh/tidhuniversais/dc-conv-sobre-dc.html

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Agradecimento a Zé Melo pela foto!

Muito obrigada, Francesco Tonucci.
Agradecimento especial a ADCL pela organização do Colóquio Internacional Crianças, Cidade e Cidadania (no passado 17 e 18 de Março de 2016).
tradução e entrevista por LPL

 

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