David Bowie: morreu uma lenda

David Bowie, que na verdade se chamava David Robert Jones, era um músico britânico conhecido e admirado em todo o mundo. Morreu aos 69 anos, deixando uma legião de fãs com o coração partido. A sua influência está por todo o lado, não só na música, mas também na cultura visual, na moda e até nos estilos de vida. A notícia da sua morte, no dia 10, abriu noticiários em todo o planeta e apanhou todos de surpresa. Poucos sabiam que David estava gravemente doente, há 18 meses que lutava contra um cancro no fígado. Foi um choque. Para os fãs foi um choque maior, até porque o músico tinha lançado, três dias antes, um novo álbum, “Blackstar”, muito focado na ideia de recomeço e renascimento, com fortes inspirações no Jazz. É certo que David sempre soube gerir a sua carreira com momentos surpreendentes e misteriosos e até na hora da sua morte conseguiu esse efeito.

Notícia indesejada

O músico britânico, uma das maiores celebridades da cultura popular, morreu em Nova Iorque, onde estava radicado há anos. A notícia foi divulgada na sua página oficial do Facebook e do Twitter e o seu publicista, Steve Martin, confirmou a morte ao canal Sky News: “10 de Janeiro de 2016: David Bowie morreu tranquilamente hoje, rodeado pela sua família, após uma corajosa batalha contra o cancro durante 18 meses”, referia a nota publicada nas redes sociais, cerca das 6.30 horas. “Muitos de vós partilham esta perda, mas pedimos que respeitem a privacidade da família durante o tempo do luto”, completa a nota.

O mestre da reinvenção

Músico, cantor, compositor ou letrista, acima de tudo Bowie era um artista total e foi capaz de compreender, antes de qualquer outro, que o rock era também a possibilidade de afirmar um novo universo cultural, um outro imaginário, renovadas formas de ser e de existir. E foi assim até ao fim. Tinha uma maneira emancipada de pensar a sua actividade. Partia da música para, com liberdade e inquietação, transcender linguagens, entre a música, a arte, a moda, a literatura, a filosofia, o cinema, o teatro, o design gráfico ou a performance. Assim, mostrava que a cultura popular podia ser reveladora. Era assim que se pensava a si próprio, era assim que pensava a realidade à sua volta. O seu corpo também era matéria plástica e por isso teve, também, uma carreira como actor, tanto no cinema como no teatro. A cada novo disco mudava, absorvendo e lançando tendências, num misto de música, arte conceptual e estética, com o som, a roupa, a maquilhagem, as capas dos discos e a performance a participarem no mesmo acontecimento. Tornou-se um cliché dizer-se que era um “camaleão”, graças à sua capacidade de se reinventar. Foi talvez o primeiro músico moderno a perceber que música, imagens, conceitos e comportamentos eram elementos que se tocavam, integrando o mesmo corpo artístico. Na actualidade, de Madonna a Björk, dos Daft Punk a Lady Gaga, dos LCD Soundsystem aos Arcade Fire, todos o fazem.

CRIADOR DE PERSONAGENS

Durante os anos 70, David Bowie criou várias personagens que interpretava em palco. Estes alter-egos tinham uma personalidade diferente de si próprio e eram eles que interpretavam as músicas para o público. Com o seu estilo provocador, Bowie interpretava essas personagens com grande intensidade, incluindo roupa e maquilhagem elaboradas. Algumas das mais conhecidas:

imgres - Copy  Major Tom– É, possivelmente, a personagem mais famosa e mais reinterpretada de David Bowie. Major Tom é um astronauta que vai numa missão sozinho e perde o contacto com a Terra. Pede ao “ground control” que diga à mulher que ele a ama. “Space Oddity” foi uma das músicas escolhidas pela BBC para acompanhar a aterragem do Apolo 11 na lua.

 

 

17crl7gzkikhpjpgZiggy Stardust– Surge com o álbum “The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars”. Esta é uma personagem que não se sabe bem se é da Terra ou de Marte. Aparece como uma espécie de mensageiro de extraterrestres.

 

 

 

1280x720Aladdin Sane– Como Ziggy Stardust teve tanto sucesso que Bowie receou que a personagem se tornasse maior que o criador. Surgiu então Aladdin Sane e um álbum com o mesmo nome. Criado durante uma tournée pelos Estados Unidos.

 

 

images - Copy

 

Halloween Jack– Aparece no álbum “Diamond Dogs” e é descrito como um gato muito descontraído que vive em Manhattan. Foi a personagem usada por Bowie na tournée seguinte.

 

 

richardsharahashes07Pierrot– É a personagem que surge na música “Ashes to Ashes”. A interpretação deste Pierrot tornou-se também uma referência da cultura pop. Só a maquilhagem demorava uma hora e meia a ficar pronta.

 

 

 

608a937f4652d98db0e882192333195eThe Thin White Duke– Esta a é sua personagem mais “pesada”, apesar de parecer mais “normal”. É totalmente decadente, sem coração e viciado em cocaína. É um europeu que se debate para compreender vários conceitos como o amor e Deus. Muitos aspectos desta personagem reflete o próprio David Bowie.

 

A discografia é longa Um total de 26 álbuns de estúdio (dois dos quais com os Tin Machine), nove álbuns ao vivo e três bandas sonoras. Uma mão-cheia de EP e mais de uma centena de singles. Estima-se que ao longo dos anos tenha vendido no total cerca de 140 milhões de discos em todo o mundo.

para ouvir aqui uma playlist

por Sandra Simões

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *