Criação do “tribunal Monsanto”

Um grupo internacional de juristas, Organizações Não Governamentais (ONG) e personalidades internacionalmente conhecidas vão criar um tribunal especial para julgar crimes ambientais e sanitários cometidos pela companhia norte-americana Monsanto.

A notícia foi avançada pelo órgão de comunicação social Libération (jornal nacional francês), onde se pode ler que a Monsanto é alvo de várias acusações graves incluindo a poluição do ar, da água e do solo, de acelerar a extinção da biodiversidade, de promover a progressão de doenças crónicas (como o cancro, o Alzheimer ou o Parkinson) e ainda de ameaçar a soberania dos povos (através do registo de patentes e da privatização de sementes).

O “tribunal Monsanto” funcionará em Haia, na Holanda e contará com o trabalho de juízes e advogados dos 5 continentes. Além de chamar a gigantesca companhia Monsanto a responder pelos seus atos, o tribunal trabalhará também para que o Direito Internacional reconheça o crime de ecocídio (crime ambiental).

Estima-se que o  “tribunal Monsanto” tem 1 milhão de euros de custos. Os criadores estão a desenvolver uma campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) para que qualquer cidadão possa contribuir para a causa.

Mas, afinal, o que é a Monsanto?

É uma empresa multinacional norte-americana (multinacional = que existe em vários países). Foi fundada em 1901. É líder mundial na produção de herbicidas (produtos químicos para destruir as ervas daninhas) e é também a maior produtora de sementes geneticamente modificadas (que resultam nos conhecidos alimentos transgénicos). Em 2014, gerou lucros próximos de 4 mil milhões de euros.

Está envolvida em diversas polémicas, pois há especialistas que afirmam que os produtos desta empresa são causas de aparecimento de doenças, desde infeções da pele até cancros.

O seu herbicida Roundup ficou célebre quando um dos porta-vozes da Monsanto recusou, numa entrevista a uma televisão, beber um copo de Água com este produto, após o ter defendido, com o argumento de que não faria mal algum ao ser humano.

Em todo o mundo, grupos de ativistas, ambientalistas e especialistas manifestam-se contra a forma de atuar da empresa e acusam-na de ser a maior responsável na destruição dos ecossistemas. A última marcha mundial contra a Monsanto aconteceu a 23 de maio de 2015.

por Luís Grilo

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