ARTISTA CHINÊS RETIRA-SE DE EXPOSIÇÃO EM PROTESTO

Na Dinamarca, país da pequena sereia, acontece um debate sobre a restrição de direitos aos refugiados recentemente aprovada pelo Parlamento. E o artista chinês Ai Weiwei  indignou-se!
Para protestar contra esta situação, o artista chinês conhecido pelas suas obras políticas e sociais contra o sistema do seu próprio país, decidiu encerrar a sua exposição “Rupturas”, na Faurschou Foundation de Copenhague, expressando a sua indignação nas redes sociais. Pouco antes, o museu de Aros, no oeste do país, anunciou que o ativista também retirava a sua mostra dessa instituição.

Refugiados asilados

A reforma aprovada pelo Parlamento dinamarquês permite o confisco de dinheiro e objetos de valor aos requerentes de asilo, para custear a sua estada no país nórdico e limitar o acesso ao reagrupamento familiar. “Como resultado dessa lamentável decisão, terei que deixar a exposição para expressar meu protesto contra a decisão do Governo dinamarquês”, escreve o artista, que havia cedido uma obra à mostra “Uma Nova Dinastia, Made in China”: o trabalho de Ai Weiwei que está exposto desde novembro em ARoS é um homem de 12 metros feito de bambu e chama-se “Yu Yi”.

O museu ainda não anunciou se alguma peça de arte vai substituir “Yu Yi” até ao final da exposição de arte contemporânea chinesa, que deveria continuar até maio. Não é a primeira medida que o ativista chinês assume como forma de se solidarizar com a situação dos refugiados. No início do ano, ele instalou uma oficina na ilha grega de Lesbos para chamar a atenção sobre a difícil situação dos migrantes. A ilha do Mar Egeu foi o principal ponto de entrada para os mais de 800.000 refugiados, muitos deles sírios, que chegaram em 2015 à União Europeia vindos da Turquia pelo mar.

Nenhum refugiado poderá ter mais do que 10.000 coroas dinamarquesas (1.340 euros) na Dinamarca. Assim decidiu o parlamento do país, ao aprovar no passado dia 26 de janeiro a polémica reforma legal que restringe os direitos dos refugiados, sobretudo no que se refere ao reagrupamento familiar, e permite que sejam confiscados os bens que excedam as 10.000 coroas.

por Sandra Simões

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