A MÚSICA PORTUGUESA A GOSTAR DELA PRÓPRIA

 

MPAGDP quer dizer Música Portuguesa A Gostar Dela Própria e é um projeto artístico que divulga vídeos de práticas musicais de pessoas portuguesas. Nasce em 2011, graças ao trabalho contínuo do seu criador: o realizador Tiago Pereira. O objetivo é um maior conhecimento do património vivo de tradição oral: cantigas, romances, contos, músicas, danças e também gastronomia. É urgente documentar, gravar e reutilizar fragmentos da memória da nossa história e  identidade. Neste momento, o projeto conta com mais de 2100 vídeos e mais de 1280 projetos musicais gravados por todo o país continental e insular, com grande incidência no Arquipélago dos Açores. Estes conteúdos são matéria-prima para diversos projetos: programa na rádio Antena 1 “O Povo que ainda Canta”; produção de produtos audiovisuais, como recentemente a série de 26 episódios “O povo que ainda canta” exibido na RTP2 e na RTP informação, além de inúmeras parcerias, projetos educativos e artísticos. Porque é fundamental, para o futuro, construir uma memória colectiva que se possa ver e ouvir, servindo a todos.                                

 

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entrevista ao Tiago Pereira

Quando tiveste pela primeira vez com uma câmara nas mãos ? Quando percebeste que querias filmar? Filmar não é só filmar imagens, é também gravar som. O meu pai colocou-me numa escola preparatória aos 9, para aprender fotografia. Quando mais tarde comecei os estudos em vídeo, a primeira coisa que tive nas mãos foi um gravador de som. Gravava tudo! Só depois de gravar muitos sons, realizei o primeiro filme misturando o som de um homem do alentejo com a imagem de outro homem alentejano. Muito provavelmente nem se conhecem. Isso é importante em realização: tem as duas componente o vídeo e o som e, muitas vezes, o interesse pode ser exatamente o de não corresponder um com o outro.  

Em relação à MPAGDP, consideras-te um colecionador de pessoas que cantam , tocam e dançam ? Ou como preferes ser chamado? Antes da MPAGDP, gravava os músicos na rua, sempre me interessou porque a música na rua é como se fosse uma festa, a celebração da rua. Em 2009, depois de uma entrevista, percebi que havia cada vez mais pessoas a cantar em português e que era urgente gravar todos, tanto as velhinhas, como as novas bandas emergentes. As pessoas dizem que sou um colecionador de postais ilustrados, porque de uma certa forma não obedeço a nenhuma ciência social. Gravo pessoas que dançam ou que tocam, e quem vê  guarda uma imagem do vídeo. Como se guardassem um postal de cada vídeo, de cada momento.
Que mensagem gostaria de deixar aos leitores? Dizer que somos muito habituados, desde a escola, a pôr nomes às coisas. Não me sinto só realizador, até porque o meu trabalho no dia a dia abrange muitas outras coisas e não consigo limitar-me a uma só palavra que define o meu trabalho. É importante aceitarmos que não conseguimos pôr nomes a tudo.
por LPL
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para saber mais:

http://www.vimeo.com/mpagdp

https://www.facebook.com/povoqueaindacanta
https://www.facebook.com/amusicaportuguesaagostardelapropria

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